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Fisioterapia para cachorro em casa: o que o tutor pode e o que não pode fazer sozinho

Foto do escritor: Dra. Mariana Poltosi
Dra. Mariana Poltosi
há 6 dias
4 min de leitura

Fisioterapia de verdade, com avaliação, aparelhos e exercícios terapêuticos, deve ser feita por um médico-veterinário com formação em reabilitação. Mas boa parte do que ajuda o seu cão acontece em casa, todos os dias: o piso, o peso, a rotina de passeios, os exercícios que o profissional prescreveu e o seu toque.


Ou seja, você não substitui a fisioterapia. Você é a parte dela que acontece nos outros seis dias da semana. Em 12 anos trabalhando com reabilitação, eu vejo que os cães que mais evoluem são os de tutores que entendem isso.


O que é do profissional

Não tente fazer sozinho:

  • Avaliação e diagnóstico. Saber se a dificuldade vem da articulação, da coluna, de um nervo ou do músculo muda tudo.

  • Aparelhos, como laser, eletroterapia, ultrassom terapêutico e esteira aquática.

  • Exercícios terapêuticos novos, principalmente depois de cirurgia. Alguns movimentos que parecem inofensivos podem atrapalhar a recuperação.

  • Alongamento forçado das articulações. Se feito sem técnica, pode machucar.

  • Casos agudos de coluna e problemas neurológicos, em que um movimento errado pode piorar o quadro.


O que o tutor pode fazer com segurança

Adaptar a casa

Tapetes antiderrapantes nos caminhos que ele mais usa, rampa ou degrau no sofá e no carro, e potes de água e comida em um lugar fácil de alcançar. Cada escorregão evitado conta.


Cuidar do peso

Cada quilo a mais é carga extra nas articulações. Converse com o veterinário sobre o peso ideal do seu cão. Essa é uma das medidas com mais efeito no conforto de um cão com artrose.


Ajustar os passeios

Para muitos cães idosos, passeios mais curtos e mais frequentes funcionam melhor do que um passeio longo. Prefira chão de grama ou terra a asfalto quente e evite subidas íngremes.


Seguir o que foi prescrito

Se o profissional passou exercícios para casa, faça na frequência combinada. É aqui que o tratamento ganha ou perde força.


Observar e anotar

Como ele levanta, se manca, se está mais rígido de manhã, se evita alguma escada ou movimento. Essas anotações ajudam muito o veterinário a ajustar o tratamento.


Tocar com técnica

Um toque lento, calmo e com a pressão certa ajuda o cão a relaxar e faz você conhecer o corpo dele. Com o tempo, você passa a perceber uma região mais tensa, quente ou sensível que passaria despercebida.


Por que o seu toque tem um valor que a sessão semanal não tem:


A sessão com o profissional acontece uma ou duas vezes por semana. As suas mãos estão com o seu cão todos os dias. O profissional vê o cão por uma hora; você o vê acordar, levantar, deitar e reagir ao toque o tempo todo.

Quando você aprende a tocar com técnica, deixa de ser só quem leva ao tratamento e passa a ser quem percebe primeiro quando algo muda.


Quando levar ao veterinário agora:


  • perda repentina de força ou de movimento nos membros;

  • cão arrastando as patas ou cruzando uma pata na frente da outra;

  • choro, rosnado ou mordida quando você toca em alguma região;

  • perda de controle do xixi ou do cocô;

  • pós-operatório recente sem liberação do cirurgião para qualquer manipulação.

Nesses casos, não faça massagem nem exercícios até ter avaliação. Se tiver dúvida se o seu cão sente dor, veja este artigo: como saber se o seu cachorro está com dor.


O que você pode fazer em casa hoje:

Vista de cima da tutora com os dois polegares paralelos nas costas do cão, fazendo o deslizamento paralelo
Deslizamento paralelo

Deslizamento paralelo (Massagem realizada nas costas do cão):

  1. Escolha um momento em que o seu cão já esteja calmo, deitado ou sentado.

  2. Esfregue as mãos para aquecê-las.

  3. Apoie os polegares paralelos, voltados internamente, na base do pescoço dele.

  4. Deslize devagar até a base da cauda, acompanhando a direção do pelo, com a pressão média, de quem passa protetor solar nos braços.

  5. Volte os polegares para o pescoço sem tirar o contato do corpo e repita de 5 a 10 vezes.

  6. Pare se ele se afastar, ficar tenso ou virar a cabeça para as suas mãos.


Faça uma ou duas vezes por dia, de preferência no mesmo horário. Mais do que o tempo, o que conta é a regularidade.


No Massagem Pet eu ensino 32 técnicas assim, região por região, com a pressão certa para cada parte do corpo e os sinais de que o seu cão quer parar. Assista a uma aula grátis ou conheça o curso completo.


Perguntas frequentes:


Posso fazer fisioterapia no meu cachorro sem veterinário?

A fisioterapia em si, não. Ela começa por uma avaliação e precisa de um profissional. O que você pode fazer em casa é adaptar o ambiente, cuidar do peso e da rotina, seguir os exercícios prescritos e tocar o seu cão com técnica.


Massagem é a mesma coisa que fisioterapia?

Não. A massagem pode ser uma parte do cuidado, mas a fisioterapia inclui avaliação, exercícios e aparelhos. Massagem bem feita complementa o tratamento, não o substitui.


Cachorro idoso pode fazer exercício?

Na maioria dos casos, sim, e ficar parado costuma piorar a rigidez. O tipo e a intensidade dependem de cada cão, então combine com o veterinário.


Depois de cirurgia, quando posso começar a tocar o meu cão?

Só depois da liberação de quem fez a cirurgia. Cada caso tem um tempo diferente.


Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.

Dra. Mariana Poltosi, médica-veterinária, CRMV-RJ 12.760

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